- Todo fim de semana você ia para a estrada. Essa é uma rotina a que você se acostuma. Três meses depois que a gente parou, me deu uma impaciência muito grande em casa. Comecei a chutar o cachorro! - brinca.
Para surpresa da banda, mesmo sem fazer shows, seus discos e DVDs continuaram bem. O álbum "7 vezes", de 2008, chegou a vender 120 mil cópias. E "Ao vivo", que eles gravaram em agosto de 2009, na Rocinha (mas que só chegou às lojas no ano seguinte), vendeu 80 mil cópias entre CDs e DVDs, sem trabalho promocional do grupo.
- O DVD da Rocinha foi nosso alento nessa época sem tocar. Ele chegou às pessoas como se fosse o nosso show - conta Lobato.
Segundo Falcão, a volta do Rappa nasceu da forma mais casual possível: um e-mail que ele mandou para Xandão sugerindo: "E aí, vamos conversar?". Assim, duas semanas atrás, num estúdio carioca, a banda quebrou seu jejum de ensaios que também durava dois anos.
- A vontade de tocar era tão grande que a gente só se freava para lembrar o começo e o final de algumas músicas - conta o vocalista.
- O Lauro trouxe duas caixas de som. Pedimos pra ele ligar só uma, porque o lugar era pequeno. Na segunda hora de ensaio, a gente estava tão na pressão que a válvula do amplificador dele esquentou a sala e o ar-refrigerado não deu conta - ilustra Lobato.
O Rappa promete, para seu novo show, muitas músicas do disco "7 vezes" e algumas poucas de cada disco. Algo bem próximo do que mostraram no "Registro" - como se não tivesse havido interrupção alguma na carreira.
- Vendemos esse DVD mesmo estando parados. Por que não iríamos então voltar e fazer essa turnê de uma forma decente? - argumenta Falcão.
De novidades, O Rappa traz um cenário feito com madeira de caixote pelo grafiteiro Fábio Ema e o designer João Bird e uma experiência sonora pouco comum em palcos brasileiros: uma simulação de som surround, com cinco grupos de caixas de som que serão distribuídas pela frente e pelas laterais do palco. No comando da parafernália, o técnico de som e produtor da banda Ricardo Vidal, que promete surpreender a plateia com o ataque dos dubs e demais efeitos sonoros.
- É para o pessoal levar susto, sem saber de onde vem o som - diz o operador de mesa, que trabalha há 16 anos com a banda.
Depois dos shows de São Paulo (dias 28 e 29, no Via Funchal), a banda volta ao estúdio para ver o que cada um compôs e começar a estruturar seu novo CD - o tal que vai fazer o mundo acabar.
- Nós vamos fazer um disco de uma forma que nunca fizemos. Por exemplo: as músicas do Laurinho, a gente sempre fazia junto. Ele vinha com o começo e a gente acabava. Agora, não, vamos ter músicas dele inteiras. Nos outros discos, a gente sempre começava do zero. Neste, o que não falta é material dos quatro - diz Xandão.
E, para garantir a tranquilidade das gravações, O Rappa planeja manter no ano que vem uma agenda de shows bem folgada.
- A gente já foi desses caras de quinta-sexta-sábado-e-domingo. Agora deixa isso pro (MC de funk Mr.) Catra, pro Belo. Pra gente, não dá mais - desabafa Falcão.
"Voltamos para fazer o mundo acabar" - ou seja lá como se chame o novo álbum de inéditas do Rappa - será o último disco do grupo em seu contrato com a Warner. Questionado sobre o futuro, Falcão sai pela tangente.
- O primordial agora é pegar esses sete discos que a gente tem, dar de presente para o público e virar uma página. Sinto que o que vem por aí será sinistro!
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