Depois de cinco intensos dias de debates e confrontos entre defesa e acusação, neste sábado (27/3) chega ao final o julgamento do casal Nardoni. Às 00h26, o juiz Maurício Fossen leu a sentença que põe fim à história trágica iniciada há dois anos. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são considerados culpados pela morte de Isabella Nardoni. A menina tinha cinco anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico.
A decisão do júri se deu por maioria simples. A votação foi encerrada por volta das 23h30. Todos os jurados escreveram sua decisão em um papel, que foi colocado em uma urna, apurada em seguida por Fossen. Após o veredicto, o juiz leu a pena. Alexandre Nardoni cumprirá 31 anos, nove meses e dez dias em regime fechado. Anna Carolina Jatobá terá de cumprir mais de 27 anos e quatro meses, também no sistema fechado. Nardoni tem curso superior e terá mais regalias que a mulher, que ficará na prisão comum. Ela não completou seus estudos. A pena base dos dois, qualificada como omissão de ocultação de delito anterior, foi colocada, inicialmente, em 20 anos. Pela comoção que o caso criou, o juiz ainda manteve as prisões preventivas dos réus.
Perguntas decisivas
Uma série de perguntas feitas aos jurados sobre Alexandre Nardoni e Anna jatobá definiu o futuro do casal. Entre as perguntas que foram feitas estão: O politraumatismo provocou a morte?, Alexandre deixou de socorrer quando alguém esganava?, Foi Alexandre quem lançou a menina do prédio?, O júri absolve o réu?, O crime de esganadura foi praticada por meio cruel?, A esganadura foi feita impossibilitando a defesa da vítima?, Quando a vítima foi jogada do sexto andar, ela não teve defesa?, O crime foi cometido para esconder um delito previamente cometido?, O crime foi praticado contra menor de 14 anos?
Entenda o caso
O julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá começou na segunda-feira (22/3). Isabella Nardoni tinha cinco anos quando foi encontrada no jardim do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na Zona Norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico.
Cronologia do julgamento
1º dia
Depoimento da mãe de Isabella comove até uma das juradas. As lágrimas de Ana Carolina Oliveira marcaram o primeiro dia de julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo. O primeiro dia também foi de contratempos para a defesa, que viu negado o pedido de adiamento do julgamento.
2º dia
Dia marcado pelo depoimento de três testemunhas e pelas fotos do corpo de Isabella exibidas aos jurados. Em longa oitiva, com cerca de 4 horas de duração, a delegada Renata Pontes disse estar 100% convicta da culpa do casal na morte da menina. Existência de uma terceira pessoa na cena do crime foi descartada. Segunda testemunha ouvida, o médico-legista Paulo Sergio Tieppo Alves, do Instituto Médico Legal, foi quem mostrou aos jurados as imagens do corpo de Isabella. A avó materna da menina, Rosa de Oliveira, deixou a sala do júri emocionada. No último depoimento do dia, o perito baiano Luiz Eduardo Carvalho Dórea apenas contestou um exame de perícia paralelo encomendado pela defesa logo após o crime.
3º dia
Perita criminal Rosangela Monteiro disse que a marca de rede encontrada na camiseta do pai da garota o incrimina. Em sua fala, ela mostrou convicção de que Alexandre jogou a menina da janela. Outras duas testemunhas de defesa prestaram depoimento - um jornalista da Folha de S. Paulo autor da matéria na qual um pedreiro afirmava que uma obra vizinha do prédio havia sido arrombada, e do escrivão do 9o Delegacia de Polícia Jair Stirbulov. Neste dia, o juiz chegou a negar pedido de acareação entre Ana Carolina Oliveira e o casal Nardoni, mas depois recuou e disse que poderia aceitá-lo. Fora do tribunal, ao voltar do almoço, o advogado dos Nardoni, Roberto Podval, quase levou um chute de um homem não identificado.
4º dia
Casal Nardoni depõe, chora e entra em contradição nos depoimentos. Alexandre acusa delegado de tê-lo pressionado a assumir o crime e de hostilizá-lo, o chamando de “assassino” e “vagabundo”. Ele também respondeu com um “não recordo” a quase todas as perguntas feitas pela acusação. Neste dia, Nardoni chorou e chegou a comover o júri. Já Anna Jatobá falou sua versão com tanta rapidez que chegou a ser interrompida pelo juiz para que falasse com mais calma para que o escrivão pudesse acompanhar a fala.
5º dia
O último dia de debates entre defesa e acusação. O advogado de defesa, Roberto Podval, iniciou, muito emocionado, sua argumentação e chegou a chorar. Elogiou Francisco Cembranelli e disse que o promotor o “intimidava”. Afirmou que defender o casal Nardoni foi uma das missões mais difíceis de sua vida, mas que “defende o que acredita”. Durante sua fala, também agradeceu a policiais e funcionários do fórum que “evitaram que fosse agredido”. O promotor Francisco Cembranelli chamou os sete jurados de “juízes constitucionais” durante sua explanação. Cembranelli disse que ele e a mãe da vítima, Ana Carolina Oliveira, não queriam vinganças, mas esperavam que os jurados “fizessem justiça”.
Descançe em paz anjinho Isabela
Por Jacqueline Saraiva, do Correio Braziliense
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