Infecção urinária pode ser causada por relações sexuais?


Jairo Bouer tira dúvida de internauta sobre sexo e saúde no site UOL






O que é uma infecção urinária?


Normalmente, no aparelho urinário, não existem quaisquer micróbios, contrariamente ao que se passa com outros aparelhos em comunicação com o meio exterior. Assim, no intestino e na vagina existem normalmente micróbios – a respectiva flora - os quais nesses meios não são habitualmente perigosos e não provocam infecção, mas que noutros meios, nomeadamente no urinário, o podem fazer. Podemos definir infecção urinária como a invasão e multiplicação de bactérias na urina do aparelho urinário, e a respectiva inflamação causada na bexiga e/ou nos rins. As bactérias mais frequentemente causadoras de infecção do aparelho urinário são as Escherichiae coli (Colibacilo), as Klebsielae e os Proteus, todas componentes da flora intestinal e muitas vezes presentes no meio vaginal.



Como se adquire uma infecção urinária?

Não havendo normalmente micróbios no interior do aparelho urinário, como e porquê eles aí podem surgir e multiplicar-se, levando á infecção?



A via da infecção mais frequente é a via ascendente. As bactérias existentes no recto, ânus e vagina, penetram ascendentemente no aparelho urinário através da uretra, apesar da normal existência de mecanismos de defesa de vária ordem, sobretudo da uretra e da bexiga. Evidentemente que os hábitos e as doenças que comprometem estes mecanismos de defesa ou estimulam a agressividade das bactérias podem ser factores predisponentes. Exemplo disso são a diminuta ingestão de líquidos, condicionando hiperconcentração urinária, o esvaziamento vesical incompleto e pouco frequente, as doenças que provocam obstrução urinária, certas manobras ou tratamentos agressivos com invasão do aparelho urinário ou alteração da flora microbiana periuretral, etc.



As outras vias de infecção do aparelho urinário, com micróbios provenientes de outro foco ou local através do sangue, da linfa ou por contiguidade, são possíveis mas bastante raros.





Porque razão são as infecções urinárias mais frequentes nas mulheres?

Porque no sexo feminino existe o reservatório vaginal junto da desembocadura da uretra, e porque a uretra tem um cumprimento muito curto e sem a protecção de algumas secreções fortemente antibacterianas (como é o caso das secreções prostáticas nos homens), as infecções urinárias são muito mais frequentes no sexo feminino do que no sexo masculino. Também a frequência das infecções urinárias é variável com a idade, havendo algumas doenças próprias da infância (malformações congénitas) ou de velhice (atrofias epiteliais, tumores da próstata no homem) que podem ocasionalmente aumentar a sua frequência. Mas é sobretudo nas mulheres adultas sexualmente activas (e eventualmente grávidas) que este problema das infecções urinárias é frequente e comum.



Existe risco de contágio?

As infecções urinárias não são contagiosas, e não se "apanham" nos sanitários, como se deduz pelo que acima foi explicado, embora esses receios sejam comuns entre muitas pessoas. Também não são doenças de transmissão sexual, embora a vida sexual seja um factor predisponente no sexo feminino.



Que outros factores podem favorecer a manutenção e o agravamento das infecções urinárias?

Para além dos aspectos causais acima referidos, poderão eventualmente existir factores de manutenção da infecção urinária, como as doenças que provocam obstrução e estase urinárias, o refluxo da urina da bexiga para os rins, os cálculos (pedras), corpos estranhos (incluindo algálias), tumores e alterações do funcionamento da bexiga; e poderão também existir doenças que são factores de agravamento, como as doenças que causam imunodepressão, a diabetes e o abuso de analgésicos, e a obstrução, estase e refluxo urinários, os quais podem condicionar, para além de sintomas de maior gravidade, consequências importantes para a função renal e para outros departamentos do organismo.



Na infância, enquanto não está completo o crescimento do aparelho urinário, as infecções urinárias podem ter um significado muito mais grave, não só porque frequentemente têm factores predisponentes, de manutenção e de agravamento associados - malformações congénitas não imediatamente detectáveis - mas também porque as consequências de uma infecção num rim em crescimento têm algumas vezes outra amplitude e perigosidade.



Na mulher grávida as infecções urinárias são mais frequentes e muitas vezes, na sua fase inicial, sem quaisquer sintomas, podendo ter, em alguns casos, consequências graves para a mulher grávida ou para o feto, com maior frequência de infecções febris severas e possivelmente de partos prematuros.



No adulto masculino as infecções urinárias têm quase sempre um factor predisponente obstrutivo e um componente de prostatite, frequentemente com infecção febril severa.



Por outro lado, em todas as idades e em ambos os sexos, as infecções urinárias causadas por bactérias que alcalinizam a urina, nomeadamente alguns Proteus, porque provocam a formação de cálculos (litíase), criam um círculo vicioso infecção - litíase que pode ser extremamente perigoso, porque é destruidor do órgão renal.






Quais os sintomas de uma infecção urinária?

Normalmente a infecção acompanha-se de sintomas que levam o doente ao médico. Se é a bexiga o órgão atingido, há um desconforto ou peso no baixo ventre, dor e/ou ardor a urinar, necessidade de urinar mais frequentemente e em pequenas quantidades, por vezes com dificuldade, e a urina está turva (suja) e algumas vezes muito mal cheirosa. Raramente há febre. Se é o rim que é atingido, há muitas vezes dor na região lombar, que pode simular cólica, e febre elevada.



No homem, a próstata é muitas vezes sede de infecção, levando a desconforto na região do baixo ventre, dificuldade e ardor a urinar e aumento da frequência das micções, com urina turva. Muitas vezes há febre elevada, arrepios e dores no corpo, confundindo-se com gripe ou infecção de outra origem.



As infecções urinárias nos bebés, ou crianças pequenas, muitas vezes cursam com sintomas vagos, como falta de apetite, atraso no desenvolvimento, febre baixa e irritabilidade anormal.



A infecção urinária pode, contudo, não dar sintomas e sinais, e o seu médico descobrí-la apenas quando executa análises urinárias de rotina.



Por outro lado, há casos em que existem sintomas que podem simular infecção urinária, nomeadamente da bexiga, mas em que, na realidade, não existem micróbios. São situações de inflamação, causada por outras razões de origem variada, mas que não a bacteriana.



Como fazer quando se suspeita haver uma infecção urinária?

Deve-se consultar o médico, que irá confirmar a presença de infecção urinária através de uma análise bacteriológica de urina. Esta análise será positiva quando existe um número de bactérias, por mililitro de urina mictada, clinicamente significativo, e inclui a identificação da estirpe bacteriana e um teste de sensibilidade aos antibióticos. Por vezes, é necessária a realização de outras análises, de exames imagiológicos (ecografias e radiografias) e eventualmente de outros exames, para descobrir factores predisponentes, de manutenção, ou de agravamento, e para localizar a infecção e avaliar as suas consequências. Dá-se então início ao tratamento.





Em que consiste o tratamento?

As grandes linhas do tratamento das infecções urinárias incluem:



1.Medidas gerais;

2.Tratamento antimicrobiano (antibiótico);

3.Tratamento urológico, que remova, em caso disso, os factores predisponentes, de manutenção e de agravamento.



1. As medidas gerais no tratamento das infecções urinárias são um complemento importante deste e da sua profilaxia, estimulando as defesas e melhorando os aspectos congestivos e irritativos locais.

Assim, aconselham-se:

- Aumento da ingestão hídrica - beber muita água e chás;

- Esvaziamento urinário frequente e completo;

- Cuidados gerais de higiene íntima, embora não excessivos;

- Evitar as situações de congestão pélvica, tais como;

- Viagens prolongadas, estar muito tempo sentado;

- Calças e cintas muito apertadas;

- Comidas e bebidas "irritantes", como: condimentos, especiarias, álcool, café, bebidas ácidas ou alcalinas, etc.;

- Alterações do trânsito intestinal, nomeadamente obstipação;

- Alterações do foro ginecológico, relações sexuais traumatizantes.



Aconselha-se a micção após o coito, nas mulheres com actividade sexual.



Poderão ainda ser utilizados medicamentos ou substâncias naturais que estimulam o sistema natural de protecção (imunoestimulantes).



2. Quanto ao tratamento antimicrobiano, o antibiótico ideal será aquele mais adequado à bactéria em causa, com menos efeitos colaterais, de posologia cómoda e baixo custo. A dose e a duração do tratamento serão determinadas pelo médico, conforme as circunstâncias; eventualmente, em casos especiais de infecções recidivantes ou persistentes, poderá ter que se fazer um tratamento prolongado, de manutenção ou profiláctico, com baixa dose de um antimicrobiano seleccionado. Os casos especiais da gravidez e da infância põem alguns problemas específicos na escolha do antibiótico, assim como as prostatites, devido a especificidades de entrada de alguns antibióticos na próstata.



3. O tratamento urológico pode ser para eventual drenagem e/ou para remoção de factores predisponentes, de manutenção e de agravamento, por exemplo correcção de obstrução urinária, extracção de cálculos, etc.. Também é fundamental a correcção de factores gerais, como a imunodepressão, a diabetes e o abuso de analgésicos.






Conclusão

As infecções urinárias, de uma maneira geral, podem ser complicadas ou não complicadas, conforme existem ou não factores de agravamento que põem em risco os rins e a sua função, ou a própria vida. Esses factores de agravamento incluem a imunodepressão, a diabetes, o abuso de analgésicos e múltiplas doenças urológicas, sobretudo as que condicionam obstrução urinária. Também as infecções causadas por micróbios que provocam cálculos (alguns Proteus) são consideradas complicadas. As infecções não complicadas podem causar sintomas aborrecidos e eventualmente severos, ser incapacitantes e impertinentes, mas não são graves, em termos de risco renal ou de vida. As infecções urinárias podem também ser agudas, crónicas (persistentes), ou recorrentes (recidivantes), neste caso com duas hipóteses:



1) por recaída, em que o mesmo micróbio que provocou a primeira infecção e ficou apenas "adormecido" com a terapêutica antibiótica instituída, volta a "acordar" pouco tempo depois, se as condições se tornam propícias para provocar a recidiva, como acontece normalmente se existem factores de manutenção;



2) por reinfecção (90%), em que é outro micróbio independente da primeira infecção, já curada, que invade o aparelho urinário pouco tempo depois, porque os mecanismos de defesa estão diminuídos.



As infecções urinárias da mulher adulta são frequentemente não complicadas, embora possam ser muitas vezes recorrentes (recidivantes), na grande maioria dos casos por reinfecção. Há que ter fundamentalmente uma atitude de profilaxia, para além do tratamento dos episódios agudos, se a investigação básica não revelar factores predisponentes, de manutenção ou de agravamento.



Nos bebés e crianças, existem muitas vezes malformações congénitas associadas às infecções urinárias que é necessário investigar e tratar. Para além disso, as consequências das infecções urinárias na infância podem ser de muito maior gravidade para a função renal do que nos adultos, pelo que é obrigatória uma atitude muito específica neste grupo etário.



Nas grávidas as infecções urinárias podem ter, em alguns casos, consequências mais gravosas do que no geral, quer para a grávida, quer para o feto, pelo que as infecções urinárias devem ser despistadas e tratadas com os antibióticos apropriados para este estado.



No adulto masculino, as infecções urinárias têm quase sempre um factor predisponente obstrutivo, e com frequência existe um componente de prostatite, pelo que, também aqui, o seu significado tem a sua especificidade, e a atitude a tomar tem que levar isso em consideração.




Dr. Manuel Mendes Silva



Chefe de Serviço Hospitalar de Urologia do Hospital Militar Principal


Associação Portuguesa de Urologia www.apurologia.pt

21 comentários:

Raquel disse...

Bom dia
sempre que tenho relaçoes sexuais com o meu namorado , no dia seguinte acordo com infecçao urinária, no inicio pensei que fosse normal visto que tinha iniciado a minha vida sexual , mas agora ja se passaram alguns meses e o cenario mantem-se igual. Sempre que isto acontece tomo furadantina (antibiotico), mas agora ja nao sei mais o que fazer.
O que me aconselha ?

Anônimo disse...

há mulher com infecção urinária pode ter relações sexuais?

Anônimo disse...

estou com efecção urinaria.e estou sentindo muitas dores na barriga,estou com muita ardencia
o que pode ser essa dor na barriga ?

Anônimo disse...

Quando eu tenho relação com meu namorado eu sinto muita ardencia e saida de pouca urina quando vou ao banheiro sempre isso no dia seguinte da relação!!

Anônimo disse...

sempre q tenho relação sexual com meu namorado sinto arder muito,e depois sinto ardencia ao urinar e um incomodo muito desagradavel,os medicos sempre passam antibioticos.mas passando o tempo td acontece novamente.o que devo fazer?

Anônimo disse...

sempre quando tenho relaçao com meu namorado sinto arde um pouco, e no outro dia quando vou ao banheiro urinar ela sai um pouco e a cor é opaca e doi.

Anônimo disse...

Eu tambem sinto isso , e provavelmente seja por ter relações sem camisinha ...

Anônimo disse...

Quando tenho relação sexual, passado alguns dias sinto muita dor ao urinar, poque?

Anônimo disse...

tenho relação sexual com meu namorado e de vez em quando sinto dores ao terminar a relação, sempre que faço fico com medo pois doi demais ja fui ao medico e foi receitado antibiotico e analgesico o que faço será que as posições sexuais tem influência?

Anônimo disse...

o melhor é consultar um urologista ou nefrologista, que pedirá um exame de urina (cultura e antibiograma). Se for infecção recorrente e persistente, bom será fazer um raio x e um ultrassom do rim e vias urinárias pra saber se há cálculos renais ou algo que esteja ajudando estas reincidências.

Dayannah disse...

Tou com infecção urinaria desde ontem começei a sentir os sintomas, mas ja estou tomando medicamentos.Há alguma possibilidade d'eu fazer sexo e piorar? O q acontecerá se acontecer?
ME AJUDEM POR FAVOR!

Anônimo disse...

sou homen e estou sentindo muito ardor no canal da urina, e vou muitas vezes no banheiro e urino pouco o que devo fazer.

Anônimo disse...

Sinto a mesma coisa ao ter relacao com meu marido mesmo usando camisinha.Estou muito encomodada.

Anônimo disse...

Vá ao seu médico.PODE NAO SER INFECCAO EM HOMEM É MAIS RARO.Boa Sorte.

Anônimo disse...

Quando tenho relação com meu namorado eu sinto no outro dia muita ardencia ao urinar por que isso ocorre??

Anônimo disse...

Quando tenho relação com meu namorado eu sinto no outro dia muita ardencia ao urinar por que isso ocorre??

Anônimo disse...

1-toda vez que tenho relação com meu marido me da infecção de urina já faz 7 anos e já fiz todos os exames que os médicos pediram e estou a mesma coisa...

Anônimo disse...

O Problema, dessa mulherada ai, é porque eles ingerem pouco liquido, depois que eles matem relação sexual com seus parceiros o problema se agrava, se elas passarem a ter, o habito de tomar liquido se duvido que isso venha acontecer.

Anônimo disse...

Muitas mulheres depois que passam a ter relação sexual começam a sentir um incomodo na região da bexiga, vontade de fazer xixi toda hora, ardência ao urinar e, às vezes, percebem sangue na urina. São sintomas de infecção urinária, que acontecem quase como um rito de passagem. Por isto, costuma ser chamada de cistite de lua de mel.

A infecção urinária pode ocorrer com pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente em períodos de mudanças hormonais, na adolescência, na gravidez ou na menopausa. Essas fases são favoráveis ao crescimento de bactérias na região próxima à vagina. Durante a relação sexual, elas sobem para o sistema urinário, o que pode causar a infecção.

Em geral, as bactérias entram pela uretra, que é o orifício por onde sai a urina, e chegam à bexiga, mas podem continuar subindo e chegar aos rins. “Muitas vezes a adolescente acha que está urinando com sangue porque perdeu a virgindade, o que não é normal. Se a cistite não for bem cuidada, pode se complicar”, alerta Eloisa Grossman, professora adjunta de medicina de adolescentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Sangue na urina não é necessariamente um sintoma grave, mas o caso precisa ser avaliado por um médico. Pode significar um tipo específico de bactéria e também a associação de infecção urinária com cálculo renal. Apesar de ser favorecida pela relação sexual, a infecção urinária não é uma doença sexualmente transmissível e pode ocorrer mesmo com o uso da camisinha.

As mulheres são mais afetadas por esse problema que os homens, por causa da proximidade entre a uretra, a vagina e o ânus. Além de terem a uretra mais curta, o que torna menor o caminho que as bactérias percorrem para chegar até a bexiga. O corpo do homem é mais protegido, e quando tem infecção urinária na adolescência, provavelmente a causa está relacionada à má formação no sistema urinário.

Como evitar

Atitudes no dia a dia podem prevenir a cistite. Mariana Malheiros Caroni, médica do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Nesa/Uerj) dá algumas orientações:

Urinar depois da relação sexual.

Não prender a urina por muito tempo.

Lavar a região externa, de preferência com água.

Usar papel higiênico para se limpar, fazer o movimento de frente para trás, nunca do ânus para a vagina. O ânus é cheio de Escherichia coli, bactéria que está envolvida na maioria dos casos de infecção urinária.

Durante a menstruação, trocar o absorvente com frequência, principalmente se usar absorvente interno.

Beber bastante água.

Principalmente no verão, usar roupas leves ou logo que chegar em casa, tirar a calça jeans.

Usar calcinha mais larga, de preferência de algodão. Dormir sem calcinha também é uma dica simples, que ajuda muito.

Calcinhas sintéticas e calças muito apertadas devem ser evitadas, porque abafam a região, o que pode deixar a pele irritada, com coceira e favorecer a infecção urinária.

O uso dos sabonetes líquidos íntimos é muito controverso. “Alguns desses sabonetes íntimos ressecam a mucosa e a deixa mais suscetível a feridas. No entanto, pode ajudar as adolescentes a atentar para a importância da higiene íntima”, explica Mariana Caroni.

(Rovena Rosa)

Sonia Prudencio disse...

boa noite teno a mesma duvida da menina do 2 comentário á problema em ter relações sexuais com infeção urinaria?

Anônimo disse...

Eu particulamente acredito que piora .

Postar um comentário

Antes de comentar, leia os termos de uso.

Não aprovamos os comentários:

1. não relacionados ao tema do post;
2. com pedidos de parceria;
3. com propagandas (spam);
4. com palavrões ou ofensas a pessoas e marcas;

Direitos Reservados